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Doenças Transmitidas por Animais de Estimação.

13 jan

As zoonoses, ou doenças causadas por animais ao homem, podem ser transmitidas de diversas formas, como: mordidas, arranhões, contato com excreções (saliva, urina, fezes), pêlos, entre outros.

 Diversas doenças são transmitidas por mordidas ou contato com animais:

Doença Agente etiológico Animal 
Arranhadura do gato
Bartonella henselae
Gato
Blastomicose Blastomyces dermatitidis Cão e gato
Brucelose Brucella canis Cão
Clamidiose (Psitacose) Chlamydiophila psittaci Papagaios, periquitos e outras aves.
Coriomeningite linfocitária arenavírus Roedores
Criptococose Cryptococcus neoformans Cão, gato, ovinos, primatas, pombos.
Dermatoses Ácaros e pulgas Cão e gato
Doença de Lyme Borrelia burgdorferi, através de carrapatos minúsculos.  Cão, mamíferos silvestres.
Encefalopatia por Herpesvirus Herpesvirus simiae Primatas
Esporotricose Sporothrix schenckii Cão e gato
Febre Maculosa Rickettsia rickettsii, através do carrapato-estrela. Cão, coelho, cavalo, gado, gambá, capivara.
Histoplasmose Histoplasma capsulatum Pássaros, pombos, morcegos.
Larva Migrans cutânea Ancylostoma brasiliense Cão e gato
Leptospirose Leptospira spp. Rato e gato
Mordedura do rato Streptobacillus moniliformis, Spirillum minus Rato
Peste Yersinia pestis Gato e rato
Raiva Vírus da raiva Cão, gato, morcego e outros animais.
Salmonelose Salmonella spp. Cão, gato, hamsters, jabotis, aves e répteis.
Teníase Hymenolepis nana e Taenia taeniformis Cão, gato, hamster
Tétano Clostridium tetani Homem e outros animais
Tularemia Francisella tularensis Coelho e gato

 Infecções bacterianas:

As mordidas podem gerar infecções na pele (celulite e abscesso), nas articulações e ossos, sendo em geral causadas por diversas bactérias.            

A princípio, toda mordida humana ou animal é contaminada com bactérias, que podem gerar infecções.

As infecções acontecem com maior freqüência se o intervalo de tempo entre o acidente e o atendimento for maior que 8h; a mordida for nas mãos e pés; lesões profundas ou com esmagamento; se tiver presença de fezes, saliva, sujeiras; ou se a pessoa mordida tiver alguma doença preexistente (desnutrição, imunodeficiência, diabetes etc.).

O risco de infecção depois de uma mordida por cão é de 4 a 10%. Se o animal agressor for um gato o risco é de 50 a 80%.

 Raiva:

O que é a raiva?

É uma doença causada por um vírus (Lyssavírus) e transmitida entre os mamíferos pela saliva de animais doentes.

A raiva é doença extremamente grave, levando à salivação excessiva, alterações neurológicas, paralisias e à morte em poucos dias após o acidente com um animal doente.

 Que animais transmitem a doença?

Somente animais mamíferos podem contrair o vírus da raiva, portanto, capazes de transmitir a doença.

Cães e gatos podem transmitir a doença por mordidas, arranhões ou lambidas. São mais graves os acidentes em que o animal está doente; lesões profundas, múltiplas, na cabeça, pescoço, mãos ou pés; se o animal vive na rua e se não puder ser observado por 10 dias. Lambidas nas mucosas (boca, olhos) também são perigosas.

Morcegos e outros mamíferos selvagens têm alto risco de transmitir a raiva.

Ratos, hamsters e coelhos geralmente não transmitem a raiva e não há necessidade de profilaxia para raiva após acidentes com estes animais.

Acidentes com bovinos, caprinos, eqüinos, suínos e macacos criados em casa podem raramente transmitir a raiva, e a necessidade de profilaxia deve ser avaliada de preferência em conjunto pelo médico e o veterinário.

 O que fazer após uma mordida de animal?

Lavar bem com grande quantidade de água e sabão neutro, retirando sujeiras e objetos que podem contaminar a ferida. A lavagem com soro fisiológico é preferível se houver a possibilidade.

Procurar o mais brevemente possível atendimento médico, idealmente antes de 8 horas do acidente. O médico irá avaliar a necessidade de exames e de procedimento para retirar tecidos necrosados, prevenção de infecções com antibióticos e prevenção de raiva e tétano com vacinas, soros ou imunoglobulinas.

O acompanhamento médico é importante para verificar a ocorrência de infecções ou outras complicações.

Lembre que as arranhaduras e lambidas também podem causar doenças e a pele afetada deve ser muito bem lavada. A consulta médica também é importante para as orientações e condutas adequadas a cada caso.

 Como se faz a prevenção da raiva?

Antes de qualquer acidente:

Vacinar todo ano cães e gatos a partir de dois meses de idade e evitar que eles fiquem na rua;

Quando andar com cães de estimação pela rua, leve-os presos a coleiras;

Ter cuidado ao se aproximar de cães e gatos desconhecidos, evitando alimentar e tocar em animais de rua.

 Após um acidente (mordida, arranhões ou lambidas em mucosas):

Lavar bem o local com água e sabão;

Não matar o animal agressor e mantê-lo preso e isolado em casa por dez dias, para observação. Se após este tempo estiver sem sintomas de raiva, pode ser liberado;

Procurar assistência médica para avaliação do risco de contágio de raiva e encaminhamento para a vacinação e soro anti-rábico, se necessário. Se o animal puder ser observado, o número de doses da vacina é menor e se estiver sem sintomas suspeitos de raiva, se evita a administração do soro anti-rábico.

 Doença da arranhadura do gato:

O que é esta doença?

É uma doença bacteriana causada pela Bartonella henselae, que afeta os gânglios linfáticos próximos à área arranhada ou mordida por um gato. Uma a duas semanas após a arranhadura, ocorre inflamação no local, aumento dos gânglios próximos, febre e fraqueza. Geralmente é autolimitada e benigna.

Em alguns casos pode haver febre persistente e complicações como endocardite, infecções do fígado, transtornos do sistema nervoso central. Pessoas com SIDA podem ter infecção grave.

 Como o gato se contamina com a doença?

O gato geralmente é portador assintomático, ou seja, carrega a bactéria, mas não fica doente. Acredita-se que a transmissão da doença entre os gatos domésticos ocorra por meio de pulgas contaminadas. Filhotes de gatos correm maior risco do que gatos adultos.

 Como prevenir a doença em seres humanos?

As melhores medidas são controlar as pulgas nos gatos, manter as unhas curtas e limpas e evitar atitudes que motivem o gato a morder ou arranhar.

Após um acidente de arranhadura, o local deve ser lavado imediatamente. Um médico deve ser consultado se ocorrer inflamação no local ou aparecimento de gânglios aumentados e dolorosos (ínguas).

 Salmonelose:

O que é a Salmonelose?

É uma doença infecciosa causada por bactérias da espécie Salmonella, geralmente a Salmonella enterica. Causa diarréia intensa, febre, cólicas intestinais e outros sintomas abdominais, podendo evoluir para desidratação, septicemia e meningite, necessitando hospitalização.

As crianças são as mais vulneráveis a esta doença e suas complicações.

 Como os animais transmitem a doença?

Alguns animais são portadores de Salmonella spp. e podem transmitir ao homem pelo contato direto ou indireto com fezes, urina e saliva: roedores (ratos, hamsters), répteis (tartarugas, lagartos, cobras) e aves domésticas.

 Como prevenir a Salmonelose?

Lavar as mãos com água e sabão após manusear animais ou objetos que estavam em contato com eles e não levar as mãos à boca quando estiver com os hamsters, répteis e aves. Evitar beijar os animais. Não deixar que os animais fiquem próximos às áreas de preparo de alimentos e evitar comer e manejar os animais ao mesmo tempo.

Hamsters devem ser mantidos afastados de ratos ou camundongos e levados ao veterinário para detectar se são portadores de Salmonella.

Crianças menores de 5 anos e pessoas com imunodepressão devem evitar contato com répteis e animais que possam estar infectados por Salmonella e outros agentes de diarréias invasivas.

 Outros cuidados gerais com animais de estimação para evitar que transmitam doenças para o homem:

Para não atrair ratos:

Não deixar comida a noite para os animais domésticos, desprezar o lixo em sacos plásticos resistentes e em lixeiras tampadas, não acumular entulho, acabar com locais onde ratos possam residir próximos ao homem , vacinar os animais anualmente e em áreas endêmicas a cada 6 meses para leptospirose.

 Cães e gatos:

Vacinar para raiva anualmente a partir dos 4 meses de idade.

Manter os animais sempre de banho tomado, trocar freqüentemente panos em que os animais deitem.  Não deixe seu animal dormir em locais úmidos, mantendo seu ambiente limpo.

Levar ao veterinário se o animal apresentar perda de pêlos ou coceira persistente.

Não deixar que os cães evacuem nas praias e recolher as fezes locais públicos, tais como: gramados, parques e calcadas.

Usar luvas se for ajudar cadelas no parto.

Usar produtos carrapaticidas, principalmente em áreas em que freqüentemente ocorram casos de doenças como febre maculosa ou doença de Lyme.

 Aves:

Evitar que os pombos façam ninhos no forro das casas e usar máscara quando limpar as fezes.

Manter boa higiene em viveiros e gaiolas, evitar o contato com as fezes das aves sem luvas de borracha; lavar e desinfetar as mãos e braços após ter contato com aves; não levar a mão à boca; levar a ave doméstica ao veterinário se observar qualquer sinal de doença.

 Cuidados para evitar carrapatos:

Ao entrar em locais onde possa haver carrapatos, tais como: locais com arbustos, árvores ou capim, usar repelente que contenha DEET (o produto químico N-N-dietil-meta-toluamida) ou permetrina. Os produtos à base de DEET não devem ser aplicados em bebês com menos de dois meses de idade e devem ser usados em concentrações de no máximo 30% em crianças maiores. Os produtos contendo permetrina não devem ser usados sobre a pele, pois se destinam à aplicação em roupas, sapatos, cortinados de cama contra mosquitos e equipamento para campismo.

Usar calça e a camisa comprida e clara, para que se possa ver o carrapato; Mantenha-se em trilhas abertas quando fizer passeios ou caminhadas e evite as margens, onde é provável a presença de carrapatos. Se acontecer de o carrapato picar, é importante retirá-lo o mais depressa possível, a fim de diminuir o risco de infecção.

Depois de permanecer em áreas que possam estar infestadas com carrapatos, verificar as pessoas e animais de estimação estão com carrapatos.

 
55 Comentários

Publicado em Artigos

 

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  1. rodrigo

    16 de abril de 2014 às 12:07

    Farias. Idealmente deve ser avaliado por médico para examinar sua ferida e a situação epidemiológica. Você deve observar o cão por 5 dias. Se ele continuar saudável, encerra o caso.

     
  2. farias e farias

    14 de abril de 2014 às 00:12

    ola,
    vendo seu blog, considero de grande importancia, parabens.
    e o seguinte, a uns 9 dias fui mordido por um cao da familia, raca box, saiu poucas vezes do quintal. apenas um canino penetrou no dedo polegar, mas o que devo fazer. acho que e vacinado porem nao sei datas, mas deve ter cartao de vacinas do cao.

    ate e aguardo.

     
  3. rodrigo

    17 de agosto de 2013 às 21:39

    É importante sempre retirar o que atrai os animais para dentro de sua casa, e evitar o contato direto com o animal ou excreções. Se ocorrer contato direto, procurar avaliação médica. Obrigado pelo elogio ao blog.

     
  4. Regina Alves

    15 de agosto de 2013 às 01:06

    Dr.Rodrigo, boa noite

    Muito interessante o conteúdo deste blog… Necessito de uma orientação. Moro no Rio (capital), num apartamento cuja janela da sala é frequentemente visitada por um gambá.. Na soleira desta janela mantenho plantas em jardineiras. Este amiguinho volta e meia sempre à noite deposita suas fezes em minhas plantinhas..sempre as retiro com um palito de churrasco o qual jogo fora. Ele ainda bebe a água do reservatório dos pássaros . Todos os dias higienizo minha janela, jogando água e o reservatório dos pássaros lavo com água e sabão. Atualmente tenho retirado toda noite este reservatório da janela, pois além do amiguinho gambá, tenho outro visitante – o morcego.O que mais devo fazer para não me prejudicar com estes visitantes noturnos.

     
  5. rodrigo

    31 de julho de 2013 às 12:27

    Só lave bem a região e observe. Se tiver sintomas procure rapidamente um médico.