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Doenças transmitidas pela água em inundações.

07 abr

Em virtude da tragédia que vive o Rio de Janeiro, deve-se atentar para os riscos de exposição às águas de inundações.

A água é a fonte da vida e é essencial para uma boa saúde. Mas como um veículo, a água pode transmitir agentes infecciosos, como vírus, bactérias, fungos, entre outros.

Em situações de inundações, a água contaminada por microrganismos pode causar doenças em seres humanos por meio de contato ou ingestão. As principais doenças relacionadas são hepatite pelo vírus A, leptospirose e diarréias infecciosas. Em situações epidemiológicas específicas pode haver transmissão de cólera e febre tifóide.

As inundações também propiciam a proliferação de vetores, como o Aedes aegypti, transmissor do dengue e da febre amarela. As enchentes também proporcionam um contexto favorável a ferimentos de pele, que podem ser contaminados com o tétano.

Uma visão geral sobre as principais doenças:

Hepatite A:

A água contaminada por fezes e urina de pessoas infectadas pelo vírus da Hepatite A pode estar presente em inundações. O vírus pode ser transmitido por contato com água contaminada, alimentos que foram imersos nessas águas ou contato direto com uma pessoa infectada (fecal-oral).

O vírus tem afinidade pelas células do fígado (hepáticas) e causa algum grau de inflamação deste órgão. O tempo de infecção geralmente é em torno de 2 a 4 semanas e o vírus é eliminado do organismo, não existindo o estado de portador.

O quadro clínico varia bastante, podendo ser praticamente sem sintomas, ou com sintomas fracos e inespecíficos, até uma forma fulminante e fatal. Os sintomas característicos são: febre baixa, cansaço, perda de apetite, pele e mucosas amareladas (icterícia), dor no abdome, náuseas e vômitos. A urina pode ficar escura (acastanhada) e as fezes amarelas ou esbranquiçadas.

Não existe tratamento específico e está indicado repouso nos primeiros dias. Não existem dietas especiais e devem ser evitados álcool e alimentos ou medicamentos que agridam o fígado.

Leptospirose:

É uma doença infecciosa causada por uma bactéria chamada Leptospira presente na urina de ratos e outros animais.

Em situações de enchentes e inundações, a urina dos ratos, presente em esgotos e bueiros, mistura-se à enxurrada e à lama dos alagamentos. A pessoa que tem contato com estas águas ou a lama pode se contaminar. As bactérias presentes na água penetram no corpo humano pela pele, principalmente se houver algum arranhão ou ferimento. O contato com água ou lama de esgoto, lagoas ou rios contaminados e terrenos baldios com a presença de ratos também podem facilitar a transmissão da leptospirose.

As pessoas que correm mais perigo são aquelas que vivem à beira de córregos e em locais onde haja ratos contaminados, lixo e também, aquelas que trabalham na coleta de lixo, em esgotos, plantações de cana-de-açúcar, de arroz, etc. A ingestão de alimentos contaminados também pode ser uma forma de contágio. Dificilmente a leptospirose transmite-se de uma pessoa para outra.

A mordida de ratos também pode transmitir a leptospirose, pois os ratos têm o hábito de lamber a genitália e assim poderia inocular a bactéria a morder uma pessoa.

Os sintomas da leptospirose aparecem entre dois e trinta dias após a infecção (período de incubação), sendo em média de dez dias.

Os primeiros sintomas são: fraqueza, dor no corpo, dor de cabeça e febre, sendo que, às vezes, a doença é confundida com uma gripe ou outras viroses. Com o aumento da febre podem ocorrer calafrios, mal-estar, dor na batata das pernas (panturrilhas), fortes dores na barriga e também o aparecimento de cor amarelada na pele (icterícia). Vômitos e diarréia, podem levar à desidratação. É comum que os olhos fiquem muito avermelhados.

Em alguns pacientes os sintomas podem ressurgir após dois ou três dias de aparente melhora. Nesse período, é comum aparecer manchas avermelhadas pelo corpo e pode ocorrer meningite, que geralmente não é grave.

O diagnóstico da doença é confirmado através de exames de sangue (sorologia).

Os pacientes que têm icterícia geralmente desenvolvem uma forma mais grave, com manifestações hemorrágicas na pele, sangramentos pelo nariz, gengivas e pulmões e pode ocorrer insuficiência dos rins, o que causa diminuição do volume urinário. As formas graves podem levar ao coma e à morte em 10% dos casos.

A avaliação médica é sempre fundamental para diagnosticar e classificar os casos quanto à gravidade. O tratamento se baseia em hidratação, e o antibiótico deve ser dado até o 4º dia de doença. Podem ser dados analgésicos, porém, está contra-indicado o uso de ácido acetilsalicílico e de antiinflamatórios, que podem aumentar o risco de sangramentos.

Os casos leves podem ser tratados em casa, após consulta médica. Os pacientes com as formas com icterícia e hemorragias devem ser internados.

Diarréias infecciosas:

Contato de pele e mucosas e ingestão de água de enchente pode causar diarréia aguda horas após o contágio.

As diarréias agudas por contato com água contaminada geralmente são causadas por bactérias patogênicas, tais como Salmonela, Shigella e Escherichia coli. Também podem ser causadas por vírus e parasitas.

Sintomas comuns são aumento do número de evacuações, fezes pastosas ou líquidas, dor abdominal, febre, náuseas e vômitos. O maior risco para o indivíduo é a desidratação, principalmente em crianças e idosos.

O tratamento é com soro de reidratação oral e os casos mais graves necessitam de hospitalização para hidratação venosa. Em casos complicados o médico avalia a necessidade de antibiótico.

Cuidados Preventivos:

o Evitar contato com água e lama residual de enchentes;
o Se o contato for inevitável, utilizar botas e luvas de borracha ou sacos plásticos nos pés e mãos;
o Ingerir apenas água filtrada ou fervida;
o Armazenar o lixo de forma adequada, em recipientes tampados ou em sacos plásticos fechados, mantidos longe do solo;
o Nunca jogar lixo ou objetos em rios ou córregos;
o Combater ratos com medidas de desratização;
o Descartar alimentos que tenham tido contato com água de inundações;
o Quando realizar limpeza de locais inundados, utilizar água clorada, na proporção de 20 litros de água para cada 4 xícaras, de 50ml cada, de água sanitária (hipoclorito de sódio a 2,5%).

Referências:
    Cives – Centro de Informação em Saúde para Viajantes.
    Ministério da Saúde.Secretaria de Vigilância em Saúde. Comitê das Enchentes. Emergência de Saúde Pública de Importância Nacional – ESPIN.
    Secretaria de Saúde e Defesa Civil do Estado do Rio de Janeiro. SUBSECRETARIA DE ATENÇÃO À SAÚDE. SUPERINTENDÊNCIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE. SITUAÇÕES EMERGENCIAIS DE ENCHENTES – 2008.

 
 

Deixe o seu Comentário

 
 
  1. Ramon Morato

    21 de fevereiro de 2011 às 11:30

    ficou otimo agora precisa-se colocar em varios locais pra q o povo veja entendes abração!

     
  2. karla

    24 de maio de 2010 às 12:42

    muito bom adorei ganhei nota dez no trabalho da escola

     
  3. mina topp

    19 de maio de 2010 às 10:54

    adorei o resumo de texto parabems

     
  4. Romina Oliveira

    9 de abril de 2010 às 13:11

    Muito oportuna a postagem Dr. Rodrigo! Ótima revisão dos temas.